quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

TINA GONÇALVES

A Tina começou a cantar há 25 anos, numa Camacha muito rica culturalmente, mas de costas viradas, ainda, para o Fado, pois, era uma terra cujas tradições estavam mais inclinadas para o folclore. Foi por influência da mãe, a quem pediu uma letra de uma música, que a Tina descobriu o seu dom como fadista, e que começou a sua eterna paixão pelo Fado. Apesar de existir um certo preconceito relativamente ao facto de uma rapariga poder ficar até tarde cantando num restaurante ou taberna – locais de eleição dos fadistas –, e de o Fado não ser muito popular no seio do povo camacheiro (outros géneros musicais contribuíram muito para um certo desvanecimento do Fado), a Tina, determinada, dedicou-se de voz e alma a cantar, tendo sido assim, uma das primeiras fadistas a se apresentar em espectáculos na Camacha, e a desbravar o caminho para outros vocalistas vindouros.
Começou por cantar o “Fado Mouraria” da Amália e cedo tratou de arranjar público, pedindo, durante as suas saídas à noite, para cantar, emprestando a sua voz a temas de Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo ou Hermínia Silva. O seu primeiro palco foi o restaurante “Paraíso”, onde os guitarristas impressionados pela força vocal, a convidaram para cantar, tendo, assim, acabado por ficar um ano a trabalhar naquele espaço. A partir daqui, outros palcos se sucederam, tendo cantando por toda a Madeira e também ido até Londres e Jersey. Esteve presente no primeiro Art’Camacha (Camacha 88, que se realizou na Quinta da Camacha), marcando a presença do Fado entre o festival multicultural camacheiro. Em 1999, e sendo considerada já uma veterana dos palcos, a Tina resolve juntar um grupo de amigos, em género de “confraria” de fadistas, com o objectivo de ensaiarem juntos e de fazerem concertos. Destes amantes do Fado faziam parte: a Carmo “do Branquinho”, a Lúcia, o Egídio, o Adelino Silva "do Picheleiro”, o Adelino Góis e o Jaime. Costumavam cantar no adro da Igreja matriz da Camacha, e ainda se reúnem uma vez por ano. Finalmente, após uma vida inteira dedicada à música, a Tina grava o seu primeiro álbum, o culminar de um percurso de uma cantora de Fado, que toda a vida viveu para o divulgar. A voz que a Tina herdou da mãe, em forma de continuidade, ela transmitiu-a à sua filha (Catarina Velosa), sendo caso para dizer que o talento corre no sangue da família!

Fados Desesperos
1.Gente da minha terra
2.Bairro Alto
3.Fado da sina
4.Embuçado
5.Barco Negro
6.Canoa
7.Uma casa portuguesa
8.Lenda da fonte (Catarina Velosa)
9.Canção do mar (Catarina Velosa)







1 comentário:

Anónimo disse...

Primeiro quero dar oa parabens ao Nelio pelo seu excelente trabalho!!
Tina Gonçalves uma grande vo e uma grande mulher!!
M.G.