segunda-feira, 8 de setembro de 2008

NEGATIVE RULE



Em finais dos anos 80 e inícios de 90, assistia-se à ascensão do Techno e da Britpop, mas uma outra vaga musical apareceu, vinda de Seattle, qual lufada de ar fresco, a representar o inconformismo teenager: o Grunge. Como porta-estandarte de uma geração rebelde, e que se revertia quer em mudanças sociais como musicais, muito associado à Geração X, esta tendência era um híbrido de outros géneros musicais: uma miscelânea que juntava no mesmo pote, estilhaços de hardcore punk, metal, rock alternativo e até pop!
Tendo como ícone máximo representante deste movimento, a figura messiânica de Kurt Cobain, que qual Cristo decadente e depressivo, seria o personagem central, e inquestionavelmente, mais importante do Grunge, onde figuravam outras bandas que igualmente “cheiravam ao mesmo espírito adolescente”: Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden, etc. O declínio desta tendência musical poderia ter tido início com a morte do líder dos Nirvana, que assim se tornava em mais um do clube dos 27 e em mais um mártir do Rock, mas é verdade é que, vez após vez, temos assistido a um ressurgimento deste estilo por todo o lado, e desta feita, aqui na Camacha, os Negative Rule são os mais novos músicos a lhe dar continuidade e vida. Ainda assim, seria muito limitativo falar-se dos Negative Rule como uma banda meramente Grunge, pois eles conseguem tanto deambular pelo som de Seattle, como se imiscuir em sonoridades punk mais despidas, rudes e simples (como é exemplo a versão extraordinária, e muito fiel à original, que fizeram para um tema dos Ramones). Nascidos em 2003, os Negative Rule contém em si todo o espírito rebelde e revolucionário que caracterizaram quer o Punk, quer o Grunge, e que se reverte em ambas as formas, lírica e sonora, que podemos ouvir em temas mais politizados como “Politics”, ou em temas que se debrucem sobre temáticas marginais, onde dissertam sobre a exclusão social, como “Ovelha Negra”. As guitarras que dominam toda a sonoridade compacta da banda, com baixos pulsantes, vozes fortes (por vezes muito graves, que tanto se alternam versatilmente em gritos de ordem, como em contornos melodiosos), guitarras a disparar distorção para todos os cantos, com solos subtis (ou quase inexistentes) e uma bateria vigorosa, que compõem o esqueleto das canções, definem a essência grupo. Uma revolução prestes a começar, desta vez, na Camacha! “Here we are now, entertain us”.



Formação (2003/09):Filipe - Voz e guitarra
Sniper - Guitarra
Tom - Baixo
Valério - Bateria






"Ovelha Negra" (videoclip)


"Why don't you make me happy"
Ao vivo na RTP Madeira

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*2009
2009 foi um ano de mudanças para os Negative Rule, que tiveram de recrutar um novo guitarrista para ocupar o lugar deixado livre pelo Sniper. O Divo Freitas tomou conta das guitarras, integrando-se na perfeição à sonoridade grunge que a banda adoptou desde início, tocando os temas antigos, mas marcando já o seu cunho na banda, com algumas músicas novas, nas quais são visíveis as diferenças entre os guitarristas. Iniciaram o concerto no Art’Camacha de forma nobre e louvável, fazendo uma doação à fundação Cecília Zino (uma instituição de solidariedade social, que se dedica a receber crianças desfavorecidas do sexo feminino), mostrando quão importante é dar o apoio a quem precisa. Um exemplo a seguir. Parabéns!









Os Negative Rule devem de ter concluído que em equipa que ganha não se mexe, pois ainda no mesmo ano de 2009, voltam a mudar o guitarrista, regressando à sua formação original, voltando o Sniper a integrar as fileiras da banda novamente, como se diz em ordem unida na tropa, quando mudamos para o movimento anterior: “primeira forma”! Ainda ontem via um excelente documentário sobre guitarras no rock (“It Might Get Loud”), com os míticos guitarristas, Jimmy Page, The Edge e Jack White, no qual o Jimmy Page se refere a ele próprio, ao Robert Plant, ao John Paul Jones e ao John Bonham, como quatro elementos, que juntos compõem um quinto elemento (os Led Zeppelin), se calhar, são definitivamente estes quatro elementos (Filipe, Sniper, Tom e Valério) que compõem na perfeição o seu quinto elemento: os Negative Rule! Bom regresso às origens!



ART' CAMACHA 2010



Na noite rock do Art’Camacha 2010 os Negative Rule deram um concerto memorável. Mantêm-se inalteráveis, fiéis ao som de Seattle, aliado a uma postura punk muito devedora aos Ramones, aos quais prestaram um tributo tocando uma cover de um dos seus temas. Outro tema alvo de uma versão por parte da banda foi o “Jesus Doesn't Want Me for a Sunbeam” dos The Vaselines, que aqui foi interpretado num formato rock, mais eléctrico e acelerado, com um ritmo pujante, contrastando com a delicadeza pop do tema original, embora respeitando sempre a melodia. O Rudolfo Sousa, vocalista dos On Mute, subiu ao palco como convidado, para interpretar o já considerado clássico da banda, "Ovelha Negra". Outra das surpresas foi as músicas novas, onde a genialidade criativa da banda se comprova novamente, com ambas as guitarras em perfeita consonância, a linhas de baixo sempre vigorosas sustentadas pela bateria forte e virtuosa. Foi um concerto vibrante com uma banda entusiasmante e enérgica! Com bandas destas, é urgente a criação de um festival rock na Camacha! Grande concerto!





"Ovelha Negra" (feat. Rudolfo Sousa dos On Mute)









5 comentários:

jonnhy nitro disse...

muito bem!!!ja a muito tempo que estava a procura do som dos Negative Rule...e finalmente encontrei! ja oiço esta banda ja a tres anos seguidos no Art´camacha...e digo tem um som espetacular...sem palavras!uma coisa é certa nao copiem o som de outras bandas grunge(alternative rock punk)...façam o vosso som original...é e verdade... voces nao tem um "bootleg" com som ao vivo destes anos que andaram a tocar na camacha?continuem assim eu espero ver outra vez na camacha em 2009 a tocar outra vez aquele som de "Ovelha negra" \m/....yeap gostava de saber se eles nao tem MySpace?

abraços e continuaçoes nesse mundo da musica!

Anónimo disse...

Finalmente uma banda de jeito no meio deste buraco. Espero que continuem com vosso trabalho que desde ja ta muito a bom . Nuca deixem de akerditar no futuro. força e continuaçoes. NEGATIVE RULE FOREVER

Paulo Nobrega disse...

Antes de mais nada
muitos parabens
sinceramente nem quis acreditar quando vos vi e ouvi pela primeira vez nunca pensei que houvesse uma banda tão boa ainda por cima grunge
e apesar do kurt ter morrido são pessoas como voces que tentam e conseguem dar continuação a tudo o que ele acreditava ainda por cima com musicas em portugues .
melhor banda daqui da madeira e arredores desejo-vos a maior sorte voces merecem elevar o nome desta ilha e deste país mas ve lá não faças parte do grupo dos 27 se é que me entendem.

Paz Amor Empatia

Anónimo disse...

Se vao ler isto não sei mas acabo de regressar do ARTcamacha e digo-vos...nunca pensei que houvesse uma banda grunge (tão boa) aqui na Madeira como estes gajos....e o cover de Nirvana? Como conseguiram transformar uma música acústica onde é usado acordiom e transformar numa grande malha punk...enfim...lindo e mais não digo.

CRISTIANO disse...

EU ADORO OS NEGATIVE E SEU ESTILO DE MUSICA , ISSO ME LEMBRA NIRVANA, RAMONES Etc...
O MEU TIO É O SNIPER , TIVE O PREVILEGIO DE OUVILO TOCAR GUITARRA E VOLA MUITAS VEZES, E ELE SEMPRE ME FALAVA DOS CONCERTOS QUE IA TER, CURTO BUES AS MUSICAS DELES E COVER DOS NIRVANA, RS, D+ TAO DE PARABENS, TIO SNIPER SAUDADES...
DO TEU SOBRINHO Cristiano.