segunda-feira, 28 de julho de 2008

LAVIMPA

O percurso do projecto a solo denominado Lavimpa – um dos pseudónimos de Bébio Amaro: músico camaleónico, que se metamorfoseia em diversas facetas da música, expondo múltiplas personalidades e técnicas musicais distintas - pode ter começado em setembro de 1996, quando o seu irmão trouxe, pela primeira vez, uma guitarra acústica para casa (altura em que ambos ouviam música grunge e indie). Após as primeiras iniciativas auto-didactas, tocando uns primeiros acordes de temas como o “Dunas” dos GNR ou “Polly” dos Nirvana (o B-Á-BÁ da maior parte dos músicos pop/rock nas suas primeiras investidas interpretativas nos instrumentos), o Bébio traçou o seu próprio trajecto musical, revelando-se um músico tão prolífico quanto criativo, alternando-se por vários projectos como os Carol’s Broken Cables, Switch, Aboutowake (ex-Pôle) ou como músico de palco dos Northern Soundz (ex-Oxigene). Terá sido toda a experiencia acumulada neste seu percurso no universo da música, culminando num projecto nado-morto que se viria a se chamar Jenösha (um projecto no qual Bébio Amaro já tinha trabalhado uns temas, os quais, após serem repensados para o formato guitarra e voz, acabaram por ser a alternativa a uma impossibilidade de os então Pôle (Aboutowake) responderem a um convite para uma actuação numa antiga lavandaria, que se chamava "Lavimpa", transformada em galeria de arte temporária), que o novo conceito musical começou a tomar forma. Bom, enterram-se os mortos e cuida-se dos vivos, desta feita, Lavimpa acabou por nascer das cinzas do recém falecido Jenösha, com a benção de baptismo por parte da famigerada lavandaria… caso para dizer que males há que vêm por bem!


No quadro de todas as experiências musicais de Bébio Amaro, Lavimpa (um fã assumido de Steve Albini), acabou por ser o seu personagem cantautor, criador de canções melódicas, por vezes de guitarras acústicas rendilhadas, outras vezes discorrendo malhas de guitarra, ora sobre versos de amor fatalistas (como em "The Long Goodbye” , onde diz em forma de lamento: “change of hearts is the hardest thing to do”), ora de forma mais activista e interventiva (como em "The New Jerusalem"), sempre dentro do formato canção, apoiadas por percussões improvisadas, como palmas, tão subtis, que até parecem pedir desculpa por existirem. Sempre com um pé na folk e outro na pop, algures entre o Devendra Banhart e o Will Oldham, Lavimpa limpa-nos a alma com canções cristalinas e de uma profundeza lírica enorme, tão devedoras da herança do blues americano, na senda de uns Red House Painters, como inspiradas na pop britânica minimalista de uns Young Marble Giants ou em clássicos como Nick Drake. A ouvir este músico que um dia foi uma banda…!





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