World music é a denominação mais fácil para designar a multiplicidade de géneros musicais tradicionais existentes por todo o mundo, uma miscelânea variada de estilos, culturas, etnias e épocas, todos enfiados no mesmo saco, apenas por uma questão de comodismo e facilitismo na descrição de uma tendência musical. World music é uma forma evasiva de se falar em música popular de um qualquer povo, por isso, não considero os C’azoada uma banda de World music, tanto mais porque não é música tradicional, no sentido estrito da palavra, que eles fazem, eles são muito mais do que isso: vão às raízes da música popular, reestruturam-na e redefinem-na conceptualmente, mantendo a essência da canção, mas conferindo-lhe uma nova dimensão estrutural. Este colectivo, com músicos de origens musicais díspares, fazem-se valer desta heterogeneidade, para inovar num todo coeso, de requinte interpretativo e criativo, facilitado pelo virtuosismo e profissionalismo dos elementos que a compõem. Nesta “azoada”, existem ecos de jazz, subtis melodias pop, uma estética tradicionalista, porém aculturada, vozes límpidas e versáteis, pianos melódicos e ritmos certeiros, adornados por flautas frágeis e violinos planantes numa lógica totalmente harmoniosa e – o que é louvável nestas coisas da interpretação de música tradicional – inovadora e evoluída… nova! Podem ser tradicionais na alma, mas são liberais no corpo. Já não se cantam estas músicas na Achada nos famosos jogos populares, como há 50 ou mais anos, já não se cavam os poios ao som destas melodias, nem brindamos com pé de cabra na tasca da esquina a cantá-las… não… agora fazemos parte de um todo global, uma fusão de géneros que transportam as enxadas e os piões para os palcos mundiais! De louvar esta extraordinária iniciativa dos C’azoada!
Ao vivo no Art'Camacha 2009:
*Um agradecimento especial ao Zé António por ter gravado os vídeos.
"DJ da Eira, natural da Camacha, desde cedo demonstrou o seu interesse pela música. Todas as culturas, todas as étnias, todos os ritmos convergem no som muito singular do DJ da Eira: Funk, House, Deep House, Electro, Dance, Trance, são as armas escolhidas. O alvo... a pista de dança. A criatividade e o entusiasmo com que selecciona e exprime a sua música contagiam a pista e transformam todas as noites numa festa. Começou a fazer as primeiras experiências no ano 2000 em pequenos bares, festas de escola e festas de garagem. Tendo também participado no concurso Sapo DJ e no Antena 3 Dance. Cada vez mais envolvido na sua música como produtor, tem como futuros projectos misturar sons electrónicos com sons acústicos, utilizando instrumentos tradicionais. Aqui estão alguns dos seus temas mais antigos. Enjoy the Music........."
"Três amigos de longa data, Nélio, João e Manel, que sempre gostaram de ouvir e tentar tocar boa musica, lá se resolveram a fazer alguma coisa de jeito, depois de alguns anos a incomodar os vizinhos e a esfolar os dedos. Para isso convidaram um vocalista, que foi nada mais, nada menos, Justino (Justo) que nestas coisas é como peixe na água. E assim, no início de 1998, os KLINIKA começaram os ensaios e preparação de temas, todos originais, ideias novas e outras já com algum tempo, da época de “raves” até altas horas da madrugada. Estrearam-se em Agosto de 1998, no festival de Art’ Camacha, numa noite memorável, em que quase ninguém sabia o que ia sair dali, visto que era a primeira actuação em publico deste grupo que misturava um pouco de tudo para ter uma sonoridade característica; era uma fusão de rock, pop, grunge, metal, tecno, etc… No final o publico foi ainda “atordoado” com um tema improvisado na hora, com a participação de um trompete - João do Mêmo (Tchakare Kanyembe) -, um techno de quase 20 minutos, espectacular! Resumindo, foi uma noite diferente para os camacheiros, visitantes e também para os KLINIKA, que estavam nervosíssimos mas no final do concerto muito satisfeitos com a sua prestação e reacções em geral.
Seguiram-se vários concertos, em diversos locais, como: Bar Idem Aspas, Gastronomias de Machico, Câmara de Lobos, sitio do Rochão, feira do livro em Santa Cruz, vários festivais de Arte Camacha e outros na dita vila. Neste percurso mudaram de baterista, o João saiu para integrar outro projecto e para o seu lugar veio um jovem talento na arte das baquetas, o Luízito. Convidaram também na mesma altura para as teclas e acordeão, o Adriano, o que conferiu uma sonoridade mais variada aos KLINIKA. Tocaram juntos até o verão de 2001, altura em que a banda se separou pelos mais variados motivos, pessoais e profissionais. Em 2007 voltaram a se reunir, desta vez com o baterista original (João) e outro baixista, o Sérgio (CRF), para matar saudades do palco e se divertir um pouco, principalmente nos ensaios, na Casa do Povo da Camacha, eram quase sempre à noite e até às tantas, com muita cerveja à mistura, mas também com muito empenho e dedicação por parte dos elementos da banda. Este ano, 2008, não os vamos ver no palco do Arte Camacha, mas quem sabe para o próximo ano não voltaremos a ouvir as músicas dos KLINIKA. De referir que todos os elementos que fazem e fizeram parte dos KLINIKA, são originários da Camacha."
Nos finais dos anos 70 e inícios dos anos 80, a Camacha vivia a época do vinil, era uma terra musicalmente fechada, onde as novidades exteriores eram escassas, limitadas a programas de rádio e a algumas discotecas com uma oferta muito restrita. O Casimiro era o ex-libris da informação discográfica e, a bem ver, o mais importante factor impulsionador de um certo estilo de vida pós-moderno – cigarettes & alchool, casacos de napa (um certo sucedâneo do cabedal à Suzi Quatro), penteados “mod”, com o estratégico pente, sempre à mão, no bolso esquerdo traseiro das calças, e as Casal Boss e Zundaps estacionadas na “entrada da Cova” -, a par das bandas pop/rock que ajudavam a divulgar os êxitos musicais anglo saxónicos.
Neste contexto, paralelamente ao cansaço e morte do punk britânico e à ascensão da New Wave (e outros subgéneros, como o post-punk, o synth pop, ou electro pop), onde em Portugal o eco fez-se sentir em bandas como os Táxi, Heróis do Mar, Banda do Casaco, UHF, Salada de Fruta ou GNR, na Camacha surgiram os Arte & Som, o porta estandarte de várias gerações - que revolucionaram a música pop/rock Camachense e foram modelo para muitos putos que, mais tarde, quiseram ter as suas próprias bandas -, sendo que eles, mais do que uma banda de entretenimento, representavam a divulgação em primeira mão de estrelas mundias como Fischer Z ou Steve Miller Band. Existia mesmo a preocupação de trazerem os álbuns recém lançados no mercado, de Londres, que seriam posteriormente difundidas pela banda cool da camacha.
Eram os rapazes bonitos da vila, que tocavam instrumentos eléctricos, eram novidade e alegravam as festas e sobretudo hotéis. Os Arte & Som, uma das bandas pioneiras do Rock Camachense (influenciados pelos The Pop Kings e Eagles 3, o “big bang” pop na terra dos vimes), juntaram-se quando o Adriano “do Branquinho”, que tinha uma banda denominada “Help” juntamente com o João Carlos do Valentim e o Zé Manel do Porfírio, resolveu convidar o Jorge Valentim e o Egídio, que já andavam a ensaiar em jams descomprometidas em garagens. Os elementos encontraram-se e a química aconteceu, tendo a primeira actuação ocorrido em 1980. O Egídio na guitarra era o punho forte do projecto, direccionando o grupo como um fio condutor infalível, definindo-os como uma banda de covers, onde muitas vezes, as versões suplantavam os próprios originais (ultrapassaram o destino de muitas bandas londrinas que, apesar de originais, “eram one hit wonders”: apenas gozaram os seus 15 minutos de fama warholianos e desapareciam).
Mesmo optando por um repertório baseado em covers, ainda compuseram originais; um com a voz do Adriano a descrever, em formato rock português, a rotina do quotidiano, e outro tema, com a voz do António, num lamento romântico, quais Roxy Music ou Spandau Ballet, a chorar um platonismo, em género New Romantic. Eles fizeram jus à máxima universal do “Sex & Drugs & Rock’n’roll”, onde a vida boémia, a música e a diversão era o lema forte e regra da casa, mais do de um agrupamento rock eles eram uma celebração! Durante este período, uma das presenças nos ensaios, e que os apoiou muito, foi o professor Mário André, uma figura incontornável no nosso universo musical madeirense.
Em 1983, a convite do Adriano, juntou-se a eles o António como voz principal, dando uma maior liberdade ao Adriano para se dedicar ao sintetizador. Apesar desta mudança, uma outra mais radical verificou-se em 1985, dando inicio à 2ª fase da banda, onde o Adriano sai definitivamente do grupo cedendo o lugar das teclas ao Duarte, que a convite do Egídio, ingressou no colectivo, trazendo novas ideias. Oriundo dos “Cosmos”, o Duarte revelou-se um mago da electrónica, de cariz retro futurista, cuja versatilidade técnica e criativa permitiu à banda deambularam desde o Rock vintage dos Creedence Clearwater Revival até à electrónica dos Soft Cell.
Apesar do domínio e dos conhecimentos da cultura pop da época, eles eram sobretudo um grupo de amigos de cariz beatleniano, onde a amizade e a música eram o grande motivo para tocarem. Após alguns anos de estrada, o principal mentor da banda, o Egídio, decidiu que era altura de sair, em 1988, e o grupo entra numa fase de cansaço e desorientação, o qual nunca conseguiu ultrapassar e, como consequência, decidem terminar um ano depois, em 1989.
Chegaram a se juntar para uma única actuação no Arte Camacha em 1995, tendo sido esta a última vez que tocaram juntos em palco. O Duarte e o António mantêm ainda um projecto em conjunto, tocando em hotéis.
Tive o prazer de estar com os Arte & Som um destes dias e, para minha surpresa, continuam a se encontrar para tocar em acontecimentos informais, em grupos de amigos, mantendo sempre a mesma postura, o que me leva a concluir que, eles nunca acabaram de facto… eis o exemplo do que deveria ser uma banda!
Jam Session (2008)
Formação:
Adriano do "Branquinho" - Voz e Sintetizador António - Voz João Carlos Valentim - Guitarra Jorge Valentim (Incógnitos, The Pop Kings, Gente Louca) - Baixo Egídio (Eagles 3, Incógnitos, The Pop Kings) - Guitarra Duarte - Sintetizador José Manuel Porfírio - Bateria
*Anos depois do fim dos Arte & Som, em 2005, o teclista, Duarte, recebe o convite para compor música para uma passagem de modelos. O resultado foi quatro temas, que funcionam como um puzzle, que no seu todo formam a "Colours Symphony": uma peça musical inquebrável, que é uma junção de cores (Black, Brown, Red & Yellow), sustentada por mini sinfonias electro, em variações espectrais, como se o som tivesse cor, ou se a cor tivesse música! À boa maneira de uns Kraftwerk a reproduzirem electronicamente os sons urbanos e industriais, o Duarte compõe peças musicais caleidoscópicas, recorrendo à plasticidade dos sintetizadores analógicos, em muito devedora à electrónica alemã dos anos 70 e ao electro-pop britânico dos anos 80. Coincidentemente (ou não) esta sinfonia electrónica colorida apareceu no apogeu do electroclash, mas o mundo teima em não andar de olhos postos na Madeira! É pena, pois a genialidade musical está cá toda! Fantástico!
Nascida da reunião entre elementos dos D-Tuned, Carol’s Broken Cables e Sob Escuta, os Yume são o escape criativo de Delia de Ponte (vocalista e compositora principal da banda), que com o apoio dos músicos brilhantes que a acompanham, criaram uma pop-soul-branca delicodoce, algures entre a Joan Baez e a Aretha Franklin.
Quando se falam nas novas rainhas da pop, divas donas de vozes invejáveis, como a Adele, a Duffy ou a “new lady soul” Amy Winehouse, os Yume não destoariam nada neste universo canção, estando mesmo à altura das melhores ofertas deste género, onde a vocalista prova as suas capacidades extraordinárias de canto, com vozes a oscilarem entre graves e agudos, revelando um controlo vocal absoluto e um virtuosismo admirável!
O suporte instrumental, conceptualmente um equilíbrio perfeito entre a aspereza rock dos Carol’s Broken Cables e a pop melodiosa dos sob Escuta, é o cenário ideal para as ondulações cristalinas vocais de Delia de Ponte, que tanto domina toda a canção (como voz principal que dá alma ao corpo instrumental), como tanto aparece em voz de coro, a sustentar e a orientar a voz grave masculina, que isolada, ver-se-ia perdida sem a vertente feminina, delicada, qual ninfa, a “levar o marinheiro a bom porto”, como podemos ouvir em “Su”.
Surpreendente este projecto camacheiro, que aparece para reunificar um leque de bandas “irmãs”, que qual "boom do rock camacheiro", representou a fase mais prolífera da música pop/rock da Camacha. Delia de Ponte abandonou este projecto efémero, mas marcante, para tentar a sorte em Londres, e os restantes elementos voltaram às suas respectivas bandas.
Ao ouvirmos Lino-P, tomamos logo consciência de um outro lado da Camacha: mais obscuro, mais urbano… mais real! Não é a Camacha de cartaz turístico, do folclore e dos vimes, aquela visão tão turística e apelativa ao olhar do visitante… não… é a vila urbanizada, e os subúrbios que a rodeiam, que tomou de assalto o epíteto “serrana” , que trocou a vertente campestre pelo progresso mais humanizado, com todas as consequências (boas e más) que essa transformação acarreta. Já não é o folclore que domina a fórmula retratista das vivências do povo, já não é a cultura e a tradição que dita a ordem do dia, é antes uma miscelânea multicultural, que se reverte em todas as manifestações da vida dos camacheiros… nesta aculturação, Lino-P faz-se socorrer de um tipo de discurso introduzido, o Rap (Rhythm and poetry) - no subgénero mais agressivo e descritivo do Hip Hop: o Gangsta Rap (termo originário dos anos 80, que servia para descrever, pelas camadas mais jovens, o estilo de vida violenta que os rodeia no dia-a-dia) -, para falar, de uma perspectiva muito particular, através de uma visão muito sua, da Camacha esquecida pelas elites e pelo turismo; menos risonha, mais negra e depressiva, uma realidade crua e nua, onde impera a opressão e o medo. Refere Da Weasel e Sam the Kid, domina uma linguagem de rua, espontânea, com rimas e estrutura métrica em perfeita consonância com a musicalidade dos temas, que quase aparece como pretexto para as histórias que narra. Este tipo de música urbana é o reflexo da evolução da nova Camacha, na sua vertente mais sombria e ignorada… uma voz interventiva a se fazer ouvir!! Mordaz… e genial!
Lino Azevedo, mais conhecido por "Lino-P" (nome artístico). Compositor e cantor de música RAP desde o ano de 2002, com uma ampla projecção neste estilo musical na ilha. O percurso musical tem sido divulgado por vários eventos..., nomeadamente, através de concertos em diversas zonas da ilha, várias idas aos programas televisivos: "Irreverência e Noite de Estrelas", a "Antena3 Madeira, Art' Camacha e a RTP Madeira" tem contribuído grandemente para a promoção do seu trabalho. É o artista madeirense com mais temas a serem divulgados pela "Rádio Antena3 Madeira" (11 temas), e também autor e compositor da música dedicada ao grande "Cristiano Ronaldo" com o tema "CR9 (Orgulho Madeirense)", escrita e gravada no mês de Agosto de 2009.
LINO-P ( Live ACTS ):
- Art' Camacha (14 de Agosto, 2007) c/ "Alex"
- Casa-do-Povo "Camacha" (... de Setembro, 2007) c/ "Alex"
- Polivalente (... de Janeiro, 2008) c/ "Alex"
- Bar o Cego (21 de Março, 2008)
- Jardim Botânico (28 de Março, 2008) c/ "Alex"
- Bar-da-Cidade (14 de Julho, 2008)
- Bar-da-Cidade (19 de Julho, 2008)
- Art' Camacha (11 de Agosto, 2008)
- Irreverência (3 de Janeiro, 2009)
- Escola da Levada (16 de Janeiro, 2009)
- Club Sports (... de Março, 2009)
- C.C.C (4 de Abril, 2009) c/ "Rúben-C, R. Gouveia & M. Teixeira"
- Irreverência (17 de Abril, 2009) c/ "Rúben-C & M. Teixeira"
- Antena 3 on Tour "Calheta" (25 de Abril, 2009) c/ "Rúben-C"
- Art' Camacha (10 de Agosto, 2009)
- 9:13 "Porto Novo" (12 de Setembro, 2009)
- Comício PSD "Bairro da Nogueira" (5 de Outubro, 2009)
- Antena3 Big Party Halloween "Vespas" (31 de Outubro, 2009) c/ "Rúben-C"
- Jardim Municipal (6 de Dezembro, 2009) c/ os "EMPERIUM"
- Noite de Estrelas (15 de Janeiro, 2010)
- Irreverência (6 de Março, 2010)
- Centro Cívico "Caniçal" (7 de Março, 2010)
- Bar Afrikano (7 de Março, 2010)
- Bar-da-Cidade (20 de Março, 2010)
- Escola Jaime Moniz (25 de Março, 2010) c/ os "Negative Rule"
- Centro de congressos da Madeira (24 de Julho, 2010) c/ os "EMPERIUM"
- Must Club "Machico" (7 de Agosto, 2010) c/ "Dj Azz"
- Hip Hop Bus! "2ª edição" (7 de Agosto, 2010)... "VENCEDOR!!!"
- Art' Camacha 2010 (9 de Agosto, 2010) c/ "Duarte, Laura, Carolina e os S.T.G"
NOTA:
-Incluindo duas presenças em 2 Concertos gravados em DVD.*Jardim Municipal do Funchal (dia 6 de Dezembro, 2009)* c/ os "EMPERIUM"*Centro de Congressos da Madeira (dia 24 de Julho, 2010)* c/ os "EMPERIUM"
*Art'Camacha 2009
No Art’Camacha 2009, o Lino-P surgiu em palco desferindo palavras de ordem, revelando o seu sentido de justiça e a sua verdade, com rimas afiadas, muito críticas, falando no plural, qual porta-voz incontestável, em nome do bairro onde vive. Munindo-se da música urbana, continuando os seus discursos em formato gangsta rap, ele mantém incólume a sua postura intervencionista, mantendo os fãs fiéis do passado, e conquistando, cada vez mais, um público maior. Ainda houve tempo para preencher um acapela com um improviso de bateria pelo Valério, baterista dos Negative Rule (que acabou por ser uma grande surpresa a forma como o MC e o baterista interagiram, com os ritmos crus e secos da bateria a ditarem o compasso e o andamento do discurso rap). Embora os seus discursos não sejam só factos generalizados inquestionáveis, mas também subjectivismos que podem dar azo a diálogos e espaço para opiniões divergentes – ou não vivêssemos nós numa democracia livre -, o Lino-P foi, sem sombra de dúvida, o "mestre de cerimónias” da noite rock do Art’Camacha, um entertainer versátil, de postura messiânica, na pele de um rapper eloquente e persuasivo, pouco moderado nas críticas e nada parco em palavras.
*ART' CAMACHA 2010
No Art’ Camacha 2010 o Lino P não veio só, apresentou-se na companhia de ilustres convidados, e “munido” de palavras de ordem, de julgamentos à realidade social que o rodeia. Duas bailarinas precoces (Laura & Carolina), ainda meninas, de grande virtuosismo e entusiasmo, e com um grande talento (apesar de estreantes nas andanças de palco), deram vida a um dos temas cantados pelo rapper. Outro estreante na música, um amigo rapper de tenra idade (Duarte), acompanhou o Lino P nas rimas afiadas, contestatárias, mostrando desde já não só a versatilidade com as palavras, como também uma postura intervencionista (nos temas "Bófias a Mais" e "Voz da Revolta (remix)"). O espectáculo teve o seu clímax quando um grupo de “breakdancers” (os "Spank The Granny - BreakDance Crew (S.T.G)") ilustrou os temas do Lino com o seu estilo de dança de rua, – o Breakdance é conhecido por ser um grande aliado do Hip Hop e variantes – que aqui, neste contexto musical, encaixou que nem uma luva! Grandes acrobatas e com um grande sentido rítmico, os bailarinos abrilhantaram o concerto, levando o público ao rubro! Para terminar em grande, não faltaram os MCs, que com seus sons vocais, acompanharam o Lino P nos seus discursos rap (sozinhos imitavam, com a boca, ritmos e sons de instrumentos, que dispensavam qualquer tipo de acompanhamento instrumental…. verdadeiros “homens orquestra”!). Uma surpresa enorme…. criaram-se assim grandes expectativas para o primeiro festival rock na Camacha: o Mountain Rock 2010!
O percurso do projecto a solo denominado Lavimpa – um dos pseudónimos de Bébio Amaro: músico camaleónico, que se metamorfoseia em diversas facetas da música, expondo múltiplas personalidades e técnicas musicais distintas - pode ter começado em setembro de 1996, quando o seu irmão trouxe, pela primeira vez, uma guitarra acústica para casa (altura em que ambos ouviam música grunge e indie). Após as primeiras iniciativas auto-didactas, tocando uns primeiros acordes de temas como o “Dunas” dos GNR ou “Polly” dos Nirvana (o B-Á-BÁ da maior parte dos músicos pop/rock nas suas primeiras investidas interpretativas nos instrumentos), o Bébio traçou o seu próprio trajecto musical, revelando-se um músico tão prolífico quanto criativo, alternando-se por vários projectos como os Carol’s Broken Cables, Switch, Aboutowake (ex-Pôle) ou como músico de palco dos Northern Soundz (ex-Oxigene). Terá sido toda a experiencia acumulada neste seu percurso no universo da música, culminando num projecto nado-morto que se viria a se chamar Jenösha (um projecto no qual Bébio Amaro já tinha trabalhado uns temas, os quais, após serem repensados para o formato guitarra e voz, acabaram por ser a alternativa a uma impossibilidade de os então Pôle (Aboutowake) responderem a um convite para uma actuação numa antiga lavandaria, que se chamava "Lavimpa", transformada em galeria de arte temporária), que o novo conceito musical começou a tomar forma. Bom, enterram-se os mortos e cuida-se dos vivos, desta feita, Lavimpa acabou por nascer das cinzas do recém falecido Jenösha, com a benção de baptismo por parte da famigerada lavandaria… caso para dizer que males há que vêm por bem!
No quadro de todas as experiências musicais de Bébio Amaro, Lavimpa (um fã assumido de Steve Albini), acabou por ser o seu personagem cantautor, criador de canções melódicas, por vezes de guitarras acústicas rendilhadas, outras vezes discorrendo malhas de guitarra, ora sobre versos de amor fatalistas (como em "The Long Goodbye” , onde diz em forma de lamento: “change of hearts is the hardest thing to do”), ora de forma mais activista e interventiva (como em "The New Jerusalem"), sempre dentro do formato canção, apoiadas por percussões improvisadas, como palmas, tão subtis, que até parecem pedir desculpa por existirem. Sempre com um pé na folk e outro na pop, algures entre o Devendra Banhart e o Will Oldham, Lavimpa limpa-nos a alma com canções cristalinas e de uma profundeza lírica enorme, tão devedoras da herança do blues americano, na senda de uns Red House Painters, como inspiradas na pop britânica minimalista de uns Young Marble Giants ou em clássicos como Nick Drake. A ouvir este músico que um dia foi uma banda…!
Os Carol’s Broken Cables foram uma banda formada em 2000, após um convite do Ricardo (Sora Temple) ao Bébio, para ir a um ensaio da banda que ele tinha na altura, que se chamava D-Tuned. Com este convite ficou decretado o inicio da mais estranha combinação pop rock da Camacha - que só viria a ficar completa com o aparecimento da Carolina (Sora Temple) -, que se pautava por ser a fusão de duas guitarras com uma bateria (preterindo o som ritmico do baixo por outra guitarra, o que conferia uma maior elasticidade e liberdade em termos de composição, quebrando regras estereotipadas pelo rock vintage - à boa maneira de uns Velvet Underground nos anos 60 -, libertando-se de um ritmo marcante, tipicamente conferido pelo baixo, e apostando nas melodias bipolares de ambas as guitarras, que ora se entrelaçavam, ora disparavam em direcções opostas). Apostando forte neste conceito sónico e noisy, de um rock arty, muito a lembrar o underground Nova-iorquino de uns Sonic Youth, os Carol’s Broken Cables foram a grande surpresa do Ant3na Rock 2001, onde conseguiram conquistar o 3º lugar. Por esta altura tocaram também no Arte Camacha, tendo sido a grande novidade da noite, surpreendendo o público com um espectáculo enérgico e abrasivo, onde os elementos da banda dominaram o palco em pura simbiose com as descargas de energia que emanavam das guitarras, suportadas pelo som compacto e brutal da bateria (a contrastar com a figura aparentemente frágil da baterista, precoce, de 14 anos, que se estreava pela primeira vez em palco, impondo o seu estilo inconfundível, qual Maureen Tucker, a sustentar o ruído cru e desgarrado das guitarras do Bébio e do Ricardo). Em 2003 voltam concorrer ao Ant3na Rock, atingindo o 2º lugar na final. Feitas as experiências com a formação pouco convencional da banda, os elementos do grupo resolveram partir para uma mudança, que viria a se concretizar com a entrada de um baixo, convidando o Evandro Amaro (Aboutowake), fazendo assim as pazes com o rock típico da “santíssima trindade”: baixo, guitarra e bateria. Apesar da nova construção musical dos Carol’s Broken Cables, se calhar devedora a fórmulas conceptuais mais abrangentes, como o Britpop, a banda, com os seu espírito criativo inconformado, detinha sempre uma postura - ainda que mais subtilmente -, pendendo para o lado experimental do rock, se bem que mais controlado, fazendo uso de samples, expandindo, desta forma, o universo sónico das canções. Com esta nova sonoridade veio a confirmar-se que a entrada do Evandro foi uma mais valia para a re-definição do som da banda, acabando por conferir um maior equilibrio no seio do grupo e uma maior expansão criativa.
Os Sora Temple são um colectivo maioritariamente feminino no qual – que me perdoem a vertente masculina -, elas demonstram que quem veste as calças na banda são elas. Fazem uma "pop musculada" ou um "rock suave melódico" (uma sonoridade intermédia entre dois planos distintos, que plana sobre estes dois universos antagónicos da pop e do rock; sem serem incongruentes, fundem ambos os estilos, descambando numa lógica conceptual, que acaba por ser a sua definição musical). Existem todos os elementos rock da escola de Iggy Pop, mas ao ouvirmos atentamente, encontramos mais elementos a fazer lembrar, por exemplo, umas Riot Grrrls (Bikini Kill, Bratmobile, etc): rock descarnado, directo e simples, com guitarras e baterias rápidas (a carolina (Carol's Broken Cables) na bateria é muito coesa e orgânica, onde os breaks são uma continuidade do ritmo, sendo um suporte muito forte para o todo instrumental) porém com uma sensibilidade sonora, onde as guitarras ganham muito pela subtileza e pela melodia. Ao juntarmos a tudo isto, temos a vertente lírica que, com um rasgo de atrevimento, não se coíbem de cantar os desvarios de uma porno star ou de uma street maniac, de uma perspectiva que nunca seria escrita por um homem. Se imaginarmos que, num contexto global, a Patti Smith ou a Janis Joplin abriram o caminho às mulheres no rock, que até à data (anos 70), era um universo exclusivamente misógino e masculino, num contexto mais regional, no caso específico da Camacha, os Sora Temple foram a primeira banda liderada por senhoras que, quais Delta 5, ou até mesmo uma PJ Harvey, de sapatos de salto alto e guitarra em punho, ditaram as regras da casa e reservaram, para sempre, um lugar para as raparigas nos palcos desta terra.
"Memories out of night" - concerto de homenagem a Sérgio Freitas (2012)
"Memories out of night" - concerto de homenagem a Sérgio Freitas (2012)
"Os Aboutowake nasceram originalmente sob a designação de "Pôle" no verão de 2003, nos acordes e composições a solo de Johan Rodrigues e algumas contribuições líricas de Susanne Blunck, numa sonoridade acústica. Em Dezembro de 2003 recebe um convite para apresentar este projecto no programa musical da RTP Madeira, "Splash". A partir dessa actuação surge novo convite para actuar ao vivo na série de eventos "Quinta dos Portugueses" da rádio Antena 3 (Centro de Produção Regional da Madeira) em Janeiro de 2004. Para essa apresentação o Johan convida o Evandro Amaro para o acompanhar em guitarra eléctrica e a partir daí passou a estar integrado no projecto. Seguiram-se alguns concertos em escolas da região. A progressão melódica indicava que deveria ser alargado o espectro sonoro e assim adicionou-se o piano do Richard Matos em Abril de 2004. Seguiram-se uma série de outros concertos e novamente mais uma inclusão no grupo, o violino de Cristiana Sousa. Tendo já algumas composições estáveis optou-se por fazer algumas gravações. Nestas foi pedido ao Bébio Amaro para desempenhar as funções de baixista, pelo que também este passou a fazer parte do grupo. Nesta fase as criações musicais tenderam para o melódico, harmonioso, doce e romântico. Ao fim de 1 ano teríamos então a formação base completa. O Evandro além de tocar guitarra eléctrica fez a introdução do instrumento tradicional "Braguinha" nalgumas composições que resultaram extremamente bem, mostrando que o facto de ser um instrumento tradicional em nada lhe retira a actualidade e a versatilidade noutras formas musicais.
Todas estas fórmulas começaram a dar resultados, antes de mais, pela série de concertos que a banda deu nos primeiros 2 anos, cuja média rondou 1 por mês, o que para uma banda amadora e comparando com as bandas do mesmo cariz é um feito na região. Por este facto, em 2005 deram-se algumas idas aos media regionais, televisão e rádio principalmente, tal como a presença noutro tipo de eventos tal como o Funchal Fashion Week (Maio). Entre Junho e Julho a banda concorre e ganha o concurso de música acústica Kelts Unplugged. Em Outubro a selecção para a final do concurso "Certámen Macaronésico para Jóvenes Artistas" promovido pelo Cabildo de Lanzarote que escolheu 4 bandas de entre 17 de todas as ilhas da Macaronésia (Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde) leva-os à ilha de Lanzarote (Canárias) onde novamente saem vencedores, tornando-se assim numa das primeiras bandas de garagem madeirenses a se internacionalizarem. Esta vitória vale-lhes ainda a nomeação para a Gala Diário de Notícias / RTP-Madeira na categoria "Música", que teve lugar no Centro de Congressos da Madeira em Março de 2006.
A banda entra numa segunda fase que implicou passar a trabalhar à distância já que o mentor do projecto Johan Rodrigues esteve durante 1 ano a viver na Suécia, local onde surgiu o nome "Aboutowake" sob a forma de novas criações a solo. Aqui também surgiu a vontade de experimentar cantar em português, já que até então as letras tinham sido exclusivamente anglo-saxónicas. Durante este período surge também um incidente com o nome "Pôle" dado já existir um projecto de música electrónica experimentalista "Pole", que nos encontrou via MySpace e invocou a antiguidade de uso e divulgação como factor determinante na preferência pelo nome, pelo que nos obrigaria a mudar a designação. Após muitas ideias, ficou "Aboutowake" daí em diante.
Em 2007, o Johan volta a mudar-se. Desta vez para Portugal Continental durante outro ano e nesta fase surge então a possibilidade de tocar nas Fnac's. Começou por um périplo pelas Fnac's de Lisboa durante Setembro de 2007. Tocaram no Colombo, Chiado, Cascais e Almada. Logo de seguida, no dia 1 de Outubro participaram no concurso "12 Horas 12 Bandas" da Fnac Coimbra (que apesar do nome, por razões logísticas foi limitado a 6 bandas) o qual viriam a ganhar e cujo prémio era uma tour pelas Fnac's do país. Em Dezembro actuaram na Fnac Madeira. A tour pelas Fnac's concretizou-se em Fevereiro de 2008 tendo a banda passado pelas seguintes Fnac's por ordem de actuação: Fnac Alfragide (Lisboa), Fnac Albufeira (Algarve), Fnac Coimbra, Fnac Santa Catarina (Porto), Fnac Gaia (Porto), Fnac (Braga), Fnac Chiado (Lisboa), Fnac Colombo (Lisboa).
Com nova mudança do Johan para a Madeira, a banda atravessa uma terceira fase, já sem a Cristina, onde o Johan está em composição e a testar a inclusão de bateria nalguns temas antigos e novos e ao mesmo tempo procedendo a gravações."
*Os CRF tiveram início em 1992, durante uma primeira reunião do guitarrista (Gabriel), do baixista (Sérgio) e do baterista (Nélio), cuja intenção era a de gravar uns temas originais do guitarrista, que estavam na origem de uma entrevista ao mesmo para um jornal da escola (um nado-morto que se chamaria “Putre Factos”, que acabou de servir de empurrão para o nascimento do “Versus”, jornal da Escola secundária Jaime Moniz, e em cuja primeira edição veio um artigo sobre os CRF). Nesse primeiro encontro surgiram as primeiras ideias para os primeiros temas da banda , que apesar de recorrerem a um formato rock muito convencional e simples, detinham a uma sonoridade muito atípica, anti-convencional, devido à ausência de uma bateria – a percussão era assegurada por uma caixa de papelão, garrafas de vidro e uma série de objectos que fossem potenciais fontes de sons rítmicos -, e ao facto de o Gabriel extrair sonoridades diferentes da guitarra através de afinações diferentes ou de outras técnicas mais experimentais. O núcleo forte dos CRF estava, assim, formado. Ao adquirirem uma bateria, em muito mau estado (peles rotas e pratos rachados) , e convidarem o João Martins para as vozes, nasceu, a primeira fase da banda. Neste primeira encarnação, e devido a um excedente número de temas que não se enquadravam no formato rock dos CRF, por serem mais experimentais, conceptualmente diferentes do conceito rock primário que a banda praticava, e serem instrumentais, foi criado um projecto paralelo intitulado “Rótulo Preto”, o qual era constituído, para além do Nélio, Sérgio e Gabriel (na bateria, baixo e guitarra, respectivamente ) pela Lina na flauta e pelo João no bandolim. Estes dois projectos gémeos (embora seguindo uma lógica musical totalmente antagónica) estrearam-se pela primeira vez no Camacha 92.
*Em 1993 a banda foi totalmente renovada, ambos os projectos fundiram-se, e combinaram o repertório de ambas as partes, mantendo-se a construção musical clássica do rock, dos CRF (embora a simplicidade conceptual tivesse dado lugar a uma maior minuciosidade de composição, acrescentando mais partes às músicas e deixando lugar para os solos), e acrescentando a multiplicidade instrumental dos Rótulo Preto, sendo o João substituído pela Rafa nas vozes, a Lina pela Susana na Flauta, e o João deixou o lugar do bandolim vago para o saxofone do Bianco. Esta Formação actuou uma única vez no Camacha 93.
*Os CRF voltaram a actuar em 1998, com o João de Deus (então baterista de dos Klinika) a substituir o Nélio na bateria, com o Sérgio no baixo, o Gabriel a se estrear nas vocalizações (acumulando esta tarefa com a de guitarrista), o João Góis (que mais tarde viria a fazer parte da banda afro-beat portuense Tchakare Kanyembe) no trompete, e o Humberto Pedras (C'azoada) nos sintetizadores.
*Em 2004, com a ausência do Sérgio - tendo o Manuel (baixista dos Klinika) o substituído no baixo acústico -, com o Gabriel a assumir as funções definitivas de vocalista e guitarrista, e o Nélio na bateria, a banda tocou na Camacha, sob a designação de “Neon Pop” para apresentar temas novos, sustentados por uma vertente melódica mais pop, abandonando o rock praticado até à data.
Neon Pop
*Em 2007 o Sérgio volta a se juntar à banda para a derradeira actuação, num concerto que contou apenas com a participação dos elementos fundadores, voltando a convidar o João Martins para o microfone.
Rótulo Preto:
Gabriel - Guitarra Sérgio - Baixo Nélio - Bateria Lina - Flauta José João - bandolim CRF
Gabriel - Guitarra e voz Sérgio - Baixo Nélio - Bateria João Martins - Voz Rafa - Voz (Músicos que contribuiram ao longo dos anos de existência da banda):
Numa terra, como a Camacha, onde a música sempre esteve enraizada no povo; uma terra de músicos auto-didactas, que fazem da música tradição, foi a mesma que, embora reclamando para si o título de terra da cultura - ao transformar os típicos arraias em festivais de Arte (Arte Camacha) -, se mostrou relutante em apoiar novos valores musicais. Apesar das contrariedades, as gerações mais novas impuseram-se, e ao reinado da música popular e folclórica, fizeram vingar o Rock e outras fórmulas musicais recorrentes à electrónica. Estes últimos porém, e por vias das circunstancias, não gozam de tanta popularidade a nível local, mas o DJ Wave, apenas numa única actuação – incompreendida, se calhar - no Arte-Camacha, veio trazer uma lufada de ar fresco com as (desejadas) renovações sonoras aliadas à electrónica.
Nos idos anos 70, o Tom Moulton apareceu como o primeiro DJ a fazer remisturas de temas Disco, prepositadamente para serem dançados em discotecas. A moda pegou, e desde então, o DJ passou de mero entertainer a criador de música. Desde os vinilos às colagens de sons em programas de pc, o DJing tem vindo cada vez mais a afirmar-se no panorama musical global. Não sendo alheio a este fenómeno, o DJ Wave, faz-se valer de técnicas de “corte e costura” e moldagens de som, usando loops, samples como material de trabalho e o computador como uma ferramenta, ou antes, como instrumento. O resultado são temas de aproximações sónicas ao Tecno – que vigorou nos anos 90 mas que ainda comanda as pistas de dança -, ritmos marcantes que formam o esqueleto e o suporte a ondulações electrónicas seminais, que avançam como um crescendo melódico e hipnótico. Embora não se associando a nenhum estilo em concreto, o DJ Wave explora o seu universo musical pelas mais variadas tendências musicais dançáveis (Eurodance, Tecno, House, Electro, etc), criando assim uma identidade própria e inconfundível. As músicas poderão ser ouvidas neste site, mas infelizmente, as pistas de dança não são (ainda) privilegiadas pelo seu som. As dificuldades a vários níveis – desde o apoio à própria aceitação – criaram desde sempre uma barreira à divulgação da música do DJ Wave, tornando-se muito difícil a seu percurso musical numa terra musicalmente conservadora, mas isto não lhe diminuiu em nada o mérito de ser o pioneiro da música de dança na Camacha.
Em Novembro de 2003, foi publicado critica (construtiva) sobre as criações musicais do Dj Wave na revista Dance Clube. A sua divulgação despertou atenção de algumas rádios, que passaram algumas das faixas do seu trabalho. Apesar dos convites, nunca mais actuou …
“Experimentei criar, gostei! Quero partilhar” (Dj Wave)