
Formação:
Adérito - Guitarra





guitarras a disparar distorção para todos os cantos, com solos subtis (ou quase inexistentes) e uma bateria vigorosa, que compõem o esqueleto das canções, definem a essência grupo. Uma revolução prestes a começar, desta vez, na Camacha! “Here we are now, entertain us”.
2009 foi um ano de mudanças para os Negative Rule, que tiveram de recrutar um novo guitarrista para ocupar o lugar deixado livre pelo Sniper. O Divo Freitas tomou conta das guitarras, integrando-se na perfeição à sonoridade grunge que a banda adoptou desde início, tocando os temas antigos, mas marcando já o seu cunho na banda, com algumas músicas novas, nas quais são visíveis as diferenças entre os guitarristas. Iniciaram o concerto no Art’Camacha de forma nobre e louvável, fazendo uma doação à fundação Cecília Zino (uma instituição de solidariedade social, que se dedica a receber crianças desfavorecidas do sexo feminino), mostrando quão importante é dar o apoio a quem precisa. Um exemplo a seguir. Parabéns!
Os Negative Rule devem de ter concluído que em equipa que ganha não se mexe, pois ainda no mesmo ano de 2009, voltam a mudar o guitarrista, regressando à sua formação original, voltando o Sniper a integrar as fileiras da banda novamente, como se diz em ordem unida na tropa, quando mudamos para o movimento anterior: “primeira forma”! Ainda ontem via um excelente documentário sobre guitarras no rock (“It Might Get Loud”), com os míticos guitarristas, Jimmy Page, The Edge e Jack White, no qual o Jimmy Page se refere a ele próprio, ao Robert Plant, ao John Paul Jones e ao John Bonham, como quatro elementos, que juntos compõem um quinto elemento (os Led Zeppelin), se calhar, são definitivamente estes quatro elementos (Filipe, Sniper, Tom e Valério) que compõem na perfeição o seu quinto elemento: os Negative Rule! Bom regresso às origens!
Na noite rock do Art’Camacha 2010 os Negative Rule deram um concerto memorável. Mantêm-se inalteráveis, fiéis ao som de Seattle, aliado a uma postura punk muito devedora aos Ramones, aos quais prestaram um tributo tocando uma cover de um dos seus temas. Outro tema alvo de uma versão por parte da banda foi o “Jesus Doesn't Want Me for a Sunbeam” dos The Vaselines, que aqui foi interpretado num formato rock, mais eléctrico e acelerado, com um ritmo pujante, contrastando com a delicadeza pop do tema original, embora respeitando sempre a melodia. O Rudolfo Sousa, vocalista dos On Mute, subiu ao palco como convidado, para interpretar o já considerado clássico da banda, "Ovelha Negra". Outra das surpresas foi as músicas novas, onde a genialidade criativa da banda se comprova novamente, com ambas as guitarras em perfeita consonância, a linhas de baixo sempre vigorosas sustentadas pela bateria forte e virtuosa. Foi um concerto vibrante com uma banda entusiasmante e enérgica! Com bandas destas, é urgente a criação de um festival rock na Camacha! Grande concerto! "Valdemar Sousa é a identidade secreta do Super-homem (mas da versão artística, claro). Como super-herói artístico, dedica-se a combater a vilania da pseudo-intelectualidade (com a sua pseudo-intelectualidade) e do analfabetismo cultural (com o seu analfabetismo cultural); combate, portanto, o fogo com o fogo. Tal como o Super-homem das bandas desenhadas e filmes, também é vulnerável às Kryptonitas - as manifestações pseudo-artísticas pobres em termos sociais, culturais e estéticos. Os seus trabalhos são exemplos de aberrações artísticas, vocacionadas a educar o Homem comum e o Homem pseudo-intelectual (que não são super-heróis artísticos como ele) para os valores estético-artísticos. Vide, por exemplo, a banda desenhada captada em vídeo:"
Valdemar Sousa
Costumava passar horas a falar de música com o João (aka João do Mêmo ou João do Trompete) no “centro cultural marginal da Camacha”: o Casimiro. O João é uma pessoa com formação musical – tendo traçado o seu percurso no conservatório, culminando com o curso de jazz da ESMAE - e com uma paixão ímpar pela música; é uma pessoa extremamente eclética e com uma visão muito abrangente em tudo em que diz respeito ao universo musical. Nas nossas tertúlias habituais ao fim de semana, encaixávamos numa mesma conversa, focos tão díspares, que iam desde Messiaen a Bowie, de Miles Davis a Leonard Cohen. Esta heterogeneidade de valores reflectia-se não só nas suas preferências musicais, como na sua capacidade interpretativa do trompete e, na sequência desta elasticidade e capacidade de adaptação a conceitos sonoros diferentes, o João percorreu conceitos musicais muito dissemelhantes uns dos outros, que vão desde o recital, apresentado no seu fim de curso, até ao projecto Tchakare Kanyembe. Para o recital, fez um arranjo de um prelúdio para piano, de uma obra com mais de 100 anos, de Debussy ("Reverie"); fez temas originais em conjunto com a Rita Martins (uma colaboração perfeita entre a melodia, a cargo da Rita, e a harmonia, da autoria do João), dos quais resultaram “Chama Rita”, e um tema dedicado a Kenny Wheeler, oportunamente denominado “For Wheeler”, num estilo que deambula pela técnica do músico e que foi inspirado na suite “Large And Small Ensemble”. É extraordinária a versão de um tema de Seamus Blake, “Badlands”, que representa uma estética nova do jazz, levada a cabo por músicos como Kurt Rosenwinkel e o próprio Seamus Blake.
O José Manuel, que desde sempre se dedicou ao saxofone, tem já um currículo extenso - que passa pela sua formação no conservatório da Madeira, onde fez também um curso de jazz com professores do Hot Club -, com inúmeras participações em várias iniciativas musicais, desde projectos de conservatório, à banda da Camacha, até ao memorável concerto de jazz no Art’Camacha 2000.
Desta feita, o José Manuel resolveu juntar o saxofone à secção de metais de um novo grupo, do qual nasceram os Ventos Cruzados. Esta banda, que combina um leque variado e rico de instrumentos, quase uma Big Band típica do swing, apesar da diversidade de elementos que a compõem, e de percorrerem os caminhos do jazz, não se limitam a isso, fundem-se algures entre o universo jazzistico e outras tendências, como a soul ou o R&B. Reclamando para si o direito fusionista, à boa maneira de um Chick Corea, ou fazendo lembrar o espírito híbrido de “Bitches Brew” do Miles Davis, os Ventos Cruzados tanto são excelentes intérpretes do próprio Chick Corea, como se adaptam na perfeição à jazzy soul fatalista da Amy Winehouse – onde a Catarina prova as suas fortes capacidades vocais.
A versatilidade da banda permite-lhes uma adaptação perfeita a composições musicais tecnicamente evoluídas, que podem ser de áreas completamente distintas, mostrando a sua maleabilidade interpretativa. Tendo se iniciado em 2007, os Ventos Cruzados tiveram até agora apenas 2 actuações (Fórum de Machico e Art’Camacha 2008), mas foi o suficiente para que não passassem indiferentes ao público, que os recebeu de forma entusiástica. Não se limitando a covers, este colectivo tem também músicas originais, sendo a composição da autoria do teclista, o Nelson Spínola. Esperemos que a "ventania" tenha apenas começado a soprar, e que bons ventos os elevem mais alto.
FORGOTTEN ROADS
Os Forgotten Roads voltaram a marcar presença no Art’Camacha 2009, com a banda cada vez mais virada para o “psicadelismo floydiano” de finais de 60 – tendo, inclusive, prestado homenagem aos Pink Floyd, fazendo uma cover de “Set the controls for the heart of the Sun” -, criando ambiências soturnas e sombrias, porém psicadélicas, de linhas melódicas alucinogénias, que funcionam como que uma continuidade expansiva da mente, do sonho. O psicadelismo teve o seu apogeu em finais dos anos 60, mas foi resgatado agora pelos Forgotten Roads, numa excelente actuação em que renovam um género que parecia datado, recuperando-o e dando-lhe um lugar na actualidade. Para este concerto vieram munidos de instrumentos rítmicos criados pelo próprio baterista, o que lhes garante uma construção musical invulgar no seio do rock actual. A provar que por estas estradas ainda se circula, que não estão esquecidas! Bem hajam!
Devido à ausência do baterista no Art’Camacha 2010, os Forgotten Roads reinventaram-se para este concerto, apresentando-se num formato acústico, onde uma pop melódica deu lugar à aridez blues e rock, ou às experimentações psicadélicas, com que nos tinham habituado até hoje. As excepções foram para os temas em que o Higino tocou sintetizador, tecendo harmonias electrónicas vintage, em género de adorno aos diálogos das guitarras acústicas, ou em que o João Paulo se sentou na bateria, de postura subtilmente irónica, e tocou e cantou, de forma menos arty do que o habitual. Foi uma formação totalmente temporária, uma alternativa à ausência do Danny, mas muito bem sucedida e eficaz, traduzida num concerto extraordinário!